sábado, 3 de março de 2007
O eclipse em directo 7
O eclipse em directo 6
Parei de tirar fotos porque a camera já não consegue captar detalhes com tão pouca luz.
As nuvens desapareceram! Vêem-se perfeitamente as estrelas à volta da Lua, mesmo num sítio com tanta iluminação artificial como este onde moro.
O eclipse em directo 5
A Lua está agoraráticamente toda coberta pela sombra, na metade debaixo, para o lado direito, há o tal brilho alaranjado escuro. Não consigo captar com a camera, só se consegue ver de binóculos. Lamento.
O eclipse em directo 4
O eclipse em directo 3
O eclipse em directo 2
O eclipse em directo
quinta-feira, 1 de março de 2007
Novas imagens, ARREPIANTEMENTE LINDAS, de Saturno!
Digo arrepiantemente lindas porque o são - fico com os pêlos em pé quando as vejo, sobretudo se fôr em tamanho grande. Vou tentar imprimir algumas destas fotos em A3 (ou maior), e/ou projectá-las na parede! Fazem-me lembrar de como me sentia quando, em 1980, a sonda Voyager tirou algumas fotografias espetaculares dos anéis de Saturno. Eu passava a vida a coleccionar todos os recortes de jornal que encontrava sobre o assunto, e depois passava tardes a projectar essas imagens na parede - o meu pai tinha um projector 'de opacos' - e a vê-as em tamanho grande, ao som de uma boa musiquinha de Vangelis, Mike Oldfield, ou o meu preferido da altura (embora só tenha descoberto recentemente o nome através do Pandora), Michael Rother.
Sim, estas imagens fazem-me sentir como se tivesse 15 anos outra vez! São simplesmente lindas, e foram possíveis de obter devido ao aumento no ângulo das órbitas da sonda Cassini à volta de Saturno.Por exemplo, vejam esta página! Se puderem, vejam as imagens em alta resolução!
Conseguem imaginar o tamanho daquele planeta? O tamanho daqueles anéis? Podíamos passar a vida toda e nunca nos cansarmos de olhar para aquele espetáculo! Já imaginaram poder passar horas a debruçarmo-nos sobre as nuvens daquele planeta, a ver todos os detalhes? Sem pressas, nem horários... Ir dormir, acordar, almoçar, ouvir música, ler... e sempre as nuvens a deslizar lentamente por debaixo de nós... Sem ruídos, sem televisão, sem horários, sem chefes, sem telefones, sem parvoíces... Era capaz de passar assim a vida!Toda a equipa da Cassini está absolutamente de parabéns por todo o trabalho que tem vindo a desenvolver. E sobretudo a Cassini Imaging Central Laboratory for Operations (CICLOPS), que práticamente todos os dias nos tem levado, literalmente, ao céu!
Se puderem, percam algum tempo a ler o que a directora da equipa que produz estas imagens, Carolyn Porco, diz: "Finally, here are the views that we've waited years for (...) Sailing high above Saturn and seeing the rings spread out beneath us like a giant, copper medallion is like exploring an alien world we've never seen before. It just doesn't look like the same place. It's so utterly breath-taking." Esta mulher, com uma carreira já longa, tem-se revelado, além de uma excelente cientista, uma pessoa com sensibilidade para o que há de mais belo no Universo! Uma poeta. Quem pensa que não há beleza nem poesia na Ciência está redondamente enganado. E incrívelmente mais pobre.
Links:
Um blog de uma candidata a astronauta
Mas melhor que tudo o que poderia imaginar, descobri um blog de uma candidata a astronauta, uma jovem bastante atraente - vá lá, eu sou um gajo e gosto de mulheres com profissões interessantes. E que há de mais interessante do que ser astronauta? - chamada Damaris B. Sarria, que está a tentar ser astronauta.
Espero que ainda possa voar no Shuttle. O tempo é curto - só haverá vôos do Shuttle até 2010. Mas ainda é bastante jovem, quem sabe até poderá ir à Lua!
Aliás, um dos meus sonhos é de que o primeiro astronauta a andar na Lua na próxima série de missões da NASA não fosse um homem, mas uma mulher. Acho que ia ter um enorme valor simbólico para todo o Mundo. Era muito giro que fosse esta senhora! :)
Os meus votos de que continue a descrever as suas experiências a todos nós que não pudémos realizar esse sonho, e de grandes felicidades na sua carreira!
Riding Rockets - The Outrageous Tales of a Space Shuttle Astronaut, de Mike Mullane
O livro que me redespertou a paixão pela Exploração do Espaço. Acabei há algum tempo de ler este livro hiper-interessante para todos aqueles que, como eu, foram ‘fãs’ do programa espacial norte americano no início dos anos 80.
Foram os anos do Columbia e do Challenger, e mais tarde do Discovery e do Atlantis. Ainda não tinha acontecido o 28 de Janeiro de 1986, com a trágica explosão do Challenger. Ainda se vivia uma ‘idade da inocência’, na NASA e no mundo, e todos acreditávamos na imagem que a NASA ‘vendia’ de um sistema de transporte espacial completamente ‘operacional’. Essa palavra, ‘operacional‘, seria uma que apenas dois acidentes mais tarde se concluiria que não se ajusta (ainda?) a um programa de exploração espacial.
O livro, que é de certa forma autobiográfico, descreve a vida do autor Mike Mullane, que foi astronauta no Space Shuttle em 3 missões, desde o momento em que a sua paixão pelo espaço nasceu - no momento em que o Sputnik foi lançado - com uma breve passagem descrevendo a sua carreira na Força Aérea - que o autor responsabiliza pelo seu ponto de vista machista da sociedade - e seguindo depois para a a sua selecção para o Corpo de Astronautas da NASA em 1978, e participação em três missões do Space Shuttle.
A melhor parte do livro é precisamente a descrição que faz da primeira missão em que participou, por coincidência a primeira do Space Shuttle Discovery, a STS-41D, e da grande amizade que se formou entre a tripulação dessa missão, e em especial com a astronauta Judy Resnik (que mais tarde faleceu no acidente do Challenger).
Foto oficial da tripulação da missão STS-41D
Foi essa amizade que, segundo Mullane, lhe mudou a opinião super-machista que tinha do mundo, e o fez ganhar um respeito cada vez maior pelos seus colegas não-homens e não-militares-de-carreira. No meio de muitas piadas chauvinistas, que algumas pessoas do sexo feminino poderão não apreciar, mas que o autor constantemente relembra serem o resultado da sua educação exclusivamente entre homens, vemos a história de uma vida e de um sonho que se realizou, escrita de uma forma que me fez práticamente não ser capaz de largar o livro - na realidade eu raramente acabo os livros que começo a ler!
As inúmeras vezes em que Mullane se refere à sua colega e amiga Judith (Judy) Resnik fazem-nos dar conta que por detrás das fotografias dos astronautas existem vidas reais e pessoas perfeitamente comuns, com alguns defeitos e muitas qualidades, como todos nós. A imagem que nos surge desta astronauta é o de uma profissional competente e dedicada à sua profissão, discreta e humilde, o que inevitávelmente desperta em nós uma simpatia maior por sabermos que anos mais tarde viria a morrer com apenas 36 anos na explosão do Space Shuttle Challenger.
A astronauta Judy Resnik, à esquerda, e Mike Mullane,
durante os treinos para a missão STS-41D
Depois do enorme destaque dado à sua colega Judy Resnik, Mullane dedica também um capítulo à sua esposa, que, no fim de contas, foi quem mais sofreu para que o seu marido pudesse viver o seu sonho, e quem mais o apoiou. Não pude deixar de pensar se esse capítulo não foi ali posto um bocado para que as pessoas não pensassem ‘então este Mike e esta Judy não fizeram nada juntos ;)’ Era um bocadinho demais escrever uma coisa dessas… O autor nega, mas pelo que nos diz, a ideia entre os astronautas da NASA é que os dois teriam tido um ‘caso’… Bom, não que isso nos interesse… Não temos nada a ver com isso…
Mike Mullane com a sua colega e amiga Judy Resnik,
durante os treinos para a missão STS-41D
O livro é assim muito mais humano e interessante do que se fosse apenas um relato ‘jornalístico’ das missões em que o autor participou, defeito de muitos livros deste tipo. O que ressai deste livro são as amizades que se formaram (e algumas inimizades também), o fascínio de voar no Espaço, e em segundo plano, as missões.
Recomendo muito vivamente este livro. Só por si redespertou o meu interesse pelas missões espaciais (que de vez em quando adormece um pouco). Está disponível em vários locais, e na Internet, por exemplo no Amazon.com. Se o comprarem no Amazon sugiro que o mandem vir do Amazon.co.uk, porque demora só uns dias a chegar! As encomendas dos EUA demoram semanas.
Judith (Judy) Arlene Resnik
5 de Abril de 1949 - 28 de Janeiro de 1986
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